FEDERAÇÕES PEDEM MAIOR ATENÇÃO E APOSTA NO DESPORTO ESCOLAR

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Os responsáveis de federações desportivas pediram hoje uma maior atenção e aposta no desporto e escolar e na educação física, assim como a adaptação de horários para os estudantes-atletas de alta competição.

“Não valorizamos a educação de e para o desporto [...], a educação física não deveria ser considerada o parente menor na preocupação da escola”, afirmou João Paulo Vilas Boas, professor catedrático da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Perante esta situação, seria importante que “os programas centrais se passassem a centrar em eixos como o programa de desporto escolar”, referiu no painel de debate sobre gestão dos programas olímpicos, Congresso Nacional Olímpico.

António José Silva, presidente da Federação Portuguesa de Natação, considera que “continua a faltar uma ligação forte entre o sistema desportivo e o sistema escolar, de forma integrada e programada”; e sublinhou que a existência desta contribuiria não só para uma melhor utilização de recursos como para combater a taxas de abandono escolar e desportivo. Estas mesmas matérias foram abordadas por Vicente Araújo, presidente da Federação Portuguesa de Voleibol, referindo a duplicação de recursos e questionando o porquê do “abandono escolar precoce” e de como “conciliar horários escolares com horários de treino”.

A taxa de ‘drop out’ no desporto foi igualmente destacada por Pedro Guedes de Carvalho, presidente da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade da Beira Interior, na sessão sobre como potenciar o desenvolvimento desportivo e seus factores crítico. “Não temos cultura desportiva e este é o grande problema de Portugal”, afirmou, acrescentando que “tirar-se a educação física, o desporto escolar, é estarmos a brincar aos objectivos”.

Na intervenção apresentou os resultado de um inquérito – SPLISS – que envolveu 16 países incluindo Portugal e no qual o país, face à média, apresenta piores desempenho por exemplo na organização. Numa leitura a estes resultados, José Curado, presidente da Confederação dos Treinadores de Portugal, destacou: “o único pilar em que ultrapassamos a média é em instalações. Como há tantas queixas? Provavelmente a resposta está no pilar da organização que é onde temos um dos piores resultados, a par com o suporte financeiro”.

Sobre o sistema desportivo e o ensino superior considerou que têm que se entender por forma a se produzirem resultados, aproveitando as boas práticas que existem de ambos os lados.

João Neto, presidente da Comissão de Atletas Olímpicos, sublinhou igualmente a “falta de coordenação entre a política desportiva e educação” e afirmou que parte de detecção de talentos “deve ser feita na escola”. Além disso “têm de existir escolas com ensino articulado, com horários adaptados”, disse ainda.