FINANCIAMENTO MARCA MANHÃ DO CONGRESSO OLÍMPICO

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O financiamento do desporto foi um dos temas que marcou a manhã do primeiro dia do Congresso Nacional Olímpico, concentrando a discussão entre os intervenientes, numa sessão onde se falou essencialmente sobre mudança de paradigma.

Na intervenção da sessão de abertura, o secretário de Estado do Desporto, Emídio Guerreiro, começou por recordar as eleições para o Comité Olímpico e o debate gerado na altura entre candidatos. “Era evidente que estávamos perante candidatos com vontade de mudar o paradigma e com esta reflexão ganhamos todos. Já nesse período era claro que os temas de debate seriam forçosamente diferentes no futuro. Felizmente que deixaríamos o recorrente monólogo dos financiamentos e passaríamos a coisas com mais substrato”.

Esta questão acabou por centrar depois as discussões no painel de debate com responsáveis de cinco federações, subordinado ao tema da crise e inovação na gestão das federações desportivas em Portugal. Jorge Vieira, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, referiu que, ao longo da história, as mudanças de paradigma tiveram por base o financiamento e que o desporto em Portugal “sempre foi um elemento pária no Orçamento de Estado”. E acrescentou que “o desporto está num modelo de dependência estatal, mas grande parte é financiado pelo jogo social”, dizendo não acreditar “que possa haver aqui mudança de paradigma”.

Manuel Agrellos, presidente da Federação Portuguesa de Golf, falou do financiamento referindo que este “é indispensável”, mas que não se pode querer “que o Estado seja o único financiador”. A redução do apoio das autarquias, devido à crise, foi mencionado por Ulisses Pereira, presidente da Federação Portuguesa de Andebol, enquanto Luís Ahrens Teixeira, presidente da Federação Portuguesa de Remo, questionou porque “não somos melhores; é só falta de dinheiro? Ou será que ele está mal gerido? Será que nós sabemos organizar? Não, não sabemos. Será que sabemos trabalhar em equipa? Não, não sabemos”, disse.

Entre o que consideram necessário melhorar, João Paulo Rocha, presidente da Federação de Ginástica de Portugal, destacou a relação entre academia e alto rendimento, considerando que a relação entre o que aquela produz e o que são as necessidades do alto rendimento “é ainda fraca”, acrescentando que este é um ponto onde as federações podem ter um papel importante.

Jorge Vieira destacou a “grande urgência que há de qualificação de todo o sistema”, referindo nomeadamente os treinadores, e a necessidade de, falando no caso do atletismo, “vender a modalidade, utilizar conceitos como o de marca”; uma questão que foi também mencionada por Ulisses Pereira.

Questões como a carga legislativa, a alteração à lei do mecenato desportivo e os patrocínios foram igualmente abordadas durante o painel de debate.

O presidente da Federação de Andebol de Portugal afirmou que “a importância do desporto na economia tem de ser conhecida” e disse aguardar “com curiosidade” os resultados da conta satélite de desporto que o INE vai passar a divulgar.

O secretário de Estado do Desporto anunciou na sua intervenção que estão a trabalhar “no sentido de desenvolver uma estratégia para o desporto nacional e que terá na criação da conta satélite do desporto junto do INE”, cujo protocolo será assinado “nos próximos dias”, “um dos seus pilares”. Emídio Guerreiro adiantou ainda, entre outros, que irão “alterar a portaria dos prémios de mérito desportivo, alargando a sua base de distribuição”, e o regime das federações desportivas, “corrigindo aspetos que criavam constrangimentos”. Após ter iniciado o discurso referindo que o COP tem apresentado várias sugestões junto do Governo finalizou afirmando: “das boas ideias e sugestões saberemos tomar boa nota”.

Destacando que os trabalhos do congresso iriam começar com a frase “Não há saída sem mudança de paradigma”, o presidente do COP, José Manuel Constantino, sublinhou que este serviria para escutar as dificuldades e problemas que enfrentam as organizações desportivas, para “melhor compreender o que o COP pode fazer para cumprir a sua missão de garantir as melhores condições possíveis”.

E sublinhou que o caminho de futuro “requer o engenho de estabelecer compromissos, abrir portas, criar pontes, assumir parcerias com o tecido empresarial, com o mundo académico, com as autoridades políticas, evitando a balcanização dos nossos redutos de conforto”.

Olhando também para a frente, e para o que deve trazer uma alteração de paradigma, Joan Antón Camuñas, presidente do centro de treino de alto nível de Barcelona, afirmou ser fundamental fazer melhor e sublinhou que “o desafio está no que é qualitativo” e não quantitativo. Num mundo em mudança – em termos económicos e geopolíticos -, o desporto também tem sofrido alterações, com o crescimento de algumas modalidades praticadas ao livre (como natação em águas abertas e triatlo) e uma maior profissionalização e interacção com o mundo empresarial. Entre as linhas a seguir, o também professor de gestão estratégica na Universidade Autónoma de Barcelona destacou a necessidade de “distinguir o que é desporto profissional, espectáculo e de utilizador”, de “entender e assumir uma mudança de ambiente, de entender que “o desporto compete num mercado maduro” e que quem patrocina também tem de ganhar algo.

Como conselho final, Joan Camuñas disse que é preciso “ter o foco apontado cinco anos à frente e fazer tudo para manter-se competitivo nesse horizonte temporal”.

Antes das intervenções teve lugar o lançamento do inteiro postal dedicado ao Congresso Nacional Olímpico, que contou com a presença do secretário de Estado do Desporto, do presidente do COP, do presidente da Câmara Municipal da Maia, António Bragança Fernandes, e do representante dos CTT, Raul Moreira.