“SÓ CONSEGUIREMOS PUXAR O DESPORTO PARA CIMA SE O VALORIZARMOS EM TODAS AS SUAS DIMENSÕES”

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O presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP) destacou hoje a importância do papel do desporto na sociedade, no encerramento do Congresso que decorreu na Maia, sublinhando ainda a reflexão proporcionada pelos representantes das mais diversas modalidades olímpicas e não olímpicas.

“Só conseguiremos puxar o desporto para cima se o conseguirmos valorizar em todas as suas dimensões”, não só na vertente de competição desportivas mas também no valor económico que cria para a sociedade, no impacto nos estilos de vida saudável e na integração social, entre outras”.

José Manuel Constantino referiu que o primeiro Congresso Nacional Olímpico foi “um ponto de passagem”, mais um ato de reflexão onde foi dado o exemplo de que é possível discutir com elevação, sentido cívico, mesmo quando há opiniões divergentes. “Precisamos de construir as nossas decisões com a colaboração das instituições que representamos”, sublinhou, acrescentando que o Comité “tem obrigação de fazer tudo ao seu alcance para que os atletas possam ter um desempenho ao mais alto nível”.

Sobre o financiamento, e remetendo para as várias dimensões do desporto, o presidente do COP salientou que este “é um serviço prestado à sociedade, tem por isso que, em parte, ser suportado pela sociedade, e é responsabilidade social do Estado apoiar algo que contribui para a própria sociedade”. Como tal, afirmou ainda, “não devemos deixar de reivindicar a parcela pública ao desenvolvimento” desse serviço.

Esta questão da sustentabilidade financeira do alto rendimento e da preparação olímpica em Portugal foi o tema debatido durante a tarde do segundo dia do Congresso. Mário Santos, chefe de missão aos Jogos Olímpicos de Londres 2012, referiu que, “sem sustentabilidade, não há resultados desportivos e estes, nas competições olímpicas, medem-se no número de medalhas”.

O também ex-presidente da Federação Portuguesa de Canoagem e ex-vice-presidente do Comité Olímpico de Portugal afirmou que “não há uma definição clara de objectivos” e reclamou a necessidade de haver “uma comissão de acompanhamento que avalie e monitorize” o nível técnico desportivo; uma entidade que permita “nomeadamente analisar o porquê de se ter feito uma provisão e não se ter lá chegado”. Mário Santos sublinhou que, “sem o objectivo claro de resultados de sucesso, e uma estratégia subjacente, não é sustentável nem justificável o financiamento ao alto rendimento e preparação olímpica, seja o financiamento público ou privado”.

Seguindo esta afirmação, Carlos Amado da Silva, presidente da Federação Portuguesa de Rugby, afirmou que “também não há resultados se não houver financiamento”. Disse que “o dinheiro é sempre escasso”, mas que “também há soluções que passam por uma melhor rentabilização dos meios disponíveis. [...] Muitas vezes não é falta de dinheiro, é falta de capacidade para o gerir bem”, salientou.

Quanto à procura de financiamento privado, Costa e Oliveira, presidente da Federação Portuguesa de Judo, referiu que neste campo “as coisas complicam-se porque vão todos os mesmos recursos, são 20, 21, 22 aquelas entidades onde todos vamos recorrer”. Fernando Feijão, presidente da Federação Portuguesa de Triatlo, defendeu ser preciso “alterar o paradigma” e sublinhou que “não pode haver sustentabilidade financeira do alto rendimento nem da preparação olímpico se não houver sustentabilidade das federações”.

Veja aqui as conclusões do Congresso Nacional Olímpico.